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Para onde foram os mais de R$ 50 bi do Master

  • 25/02
  • Geral
  • Assessoria de imprensa

 


Como fundos opacos, imóveis superfaturados e estruturas financeiras pouco transparentes podem ter ajudado a desviar bilhões do banco (Por Neuza Sanches) - imagem humor com rumor - 

Pelo que se conhece até agora das investigações, o esquema de fraude do Banco Master parece repetir um roteiro já clássico em que o controlador de um banco se vale de uma estrutura financeira opaca para desviar recursos. Essa estrutura poderia ser resumida em três eixos: crédito dirigido, fundos “de passagem” e imóveis superfaturados.

A coluna conversou com vários especialistas do mercado financeiro como CFOs (Chief Financial Officer, profissional de finanças de mais alto nível em uma organização, responsável pela saúde financeira da companhia) para tentar entender os passos do Master. Segundo eles, a engenharia financeira pode ter se tornado sistêmica na geração: diversos empréstimos, diversos fundos, múltiplas compras e vendas de imóveis e participações, sempre com preços inflados e pouca lógica econômica.

A grosso modo, em esquemas assim o banco costuma liberar grandes empréstimos para empresas de fachada, sem atividade real e sem capacidade efetiva de pagamento. Essas empresas, em vez de usarem o dinheiro em negócios produtivos, direcionam os recursos para fundos de investimento – muitos deles com estrutura frágil, sem tese econômica crível ou, em alguns casos, praticamente apenas “de papel”. Esses fundos, por sua vez, compram ativos ligados ao próprio grupo de controle, notadamente imóveis, por valores muito acima do mercado.

É aí que o superfaturamento vira o motor da fraude. Um imóvel adquirido originalmente por R$ 1 milhão pode ser revendido por R$ 100 milhões a um fundo “independente”, que foi irrigado justamente com dinheiro emprestado pelo banco às empresas de fachada. No balanço, o banco registrou um crédito de R$ 100 milhões contra a empresa; o fundo carregava um ativo imobiliário avaliado em R$ 100 milhões; e o controlador, direto ou indiretamente, saiu da operação com R$ 100 milhões em caixa ou em estruturas sob seu domínio, tendo colocado apenas R$ 1 milhão na origem. A diferença – os R$ 99 milhões – era, na prática, valor drenado dos investidores e depositantes, disfarçado por laudos, contratos e estruturas formais.

Para o olhar leigo, tudo parece sofisticado: fundos estruturados, ativos “diferenciados”, estratégias complexas. Para o olhar pericial, desenhava-se o padrão clássico de uso de fundos – alguns com gestão meramente figurativa, outros com operações opacas – como tubos de circulação e lavagem de recursos, empurrando o risco final para o banco, seus credores e, em última instância, o sistema de garantias.

Na fase atual, a avaliação no mercado é de que boa parte dos mais de R$ 50 bilhões associados ao rombo não estaria mais em ativos facilmente rastreáveis, por estar em estruturas financeiras de transparência opaca. Ou seja, essa combinação – fundos usados como engrenagem interna, imóveis superfaturados como lastro fictício e, por fim, dutos em investimentos com pouco ou nenhuma transferência – ajudaria a explicar por que, mesmo com as liquidações decretadas pelo Banco Central do Master e os outros agregados como Will Bank (e recentemente o Banco Pleno, que já pertenceu ao mesmo conglomerado), e as garantias e ações judiciais, a recuperação integral do dinheiro tende a ser lenta, parcial e de técnica muito complexa.

Ao fim e ao cabo, não se trata de um “truque único”, mas uma espécie de método: usar o poder de emprestar dinheiro do banco para criar operações aparentemente legítimas. Estas, na verdade, servem para enriquecer o controlador, inflar artificialmente o balanço da instituição financeira e empurrar o prejuízo, no final, para investidores, para o FGC e para o próprio sistema financeiro. A Polícia Federal tem investigado possíveis investimentos de Daniel Vorcaro em obras de arte e imóveis nos Estados Unidos.

Embora sejam ativos, pois representam bens de valor econômico, são considerados de longo prazo. Ou seja, sem liquidez imediata. Há ainda a possibilidade de a bolada amealhada por Vorcaro estar em investimentos em offshores – fora do País. Mas, afinal onde poderia estar escondida boa parte dessa bolada dos mais de R$ 50 bi? Um CFO de grande banco, responde: “Hoje em dia, a melhor forma de esconder dinheiro em volumes dessa ordem é em criptomoeda, então seria o destino lógico.” (Fonte: Veja Negócios)

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