Mesmo com o avanço, as instituições tradicionais ainda lideram e concentram maioria das contas ativas (Por Caynã Marques)
| Resumo O conhecimento dos brasileiros sobre bancos e carteiras digitais quase dobrou em quatro anos, passando de 23,9% em 2022 para 45,6% em 2025, segundo a nona edição do levantamento “Raio X do Investidor Brasileiro”, produzido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. |
Mesmo com o crescimento das plataformas digitais, os bancos tradicionais seguem com forte presença. Em 2025, 91,5% dos brasileiros afirmam conhecer esse tipo de instituição, e 73,67% possuem conta ativa.
O cenário aponta para uma convivência entre os dois modelos. Segundo Marcelo Billi, o que se observa não é uma substituição, mas uma complementaridade. O digital ganha espaço, enquanto os bancos tradicionais mantêm relevância, especialmente entre determinados perfis da população.
Uso de bancos mostra diferença entre gerações
O levantamento indica que nove em cada dez brasileiros possuem ao menos uma conta ativa. Os bancos tradicionais seguem como principal porta de entrada, alcançando 73,67% dos entrevistados, enquanto bancos e carteiras digitais aparecem com 38,87% em 2025, após pico registrado no ano anterior.
A análise por faixa etária revela diferenças relevantes. Entre jovens da chamada Geração Z (16 a 29 anos), há um equilíbrio no uso, 67% possuem conta em bancos tradicionais e 66% em bancos digitais. Já entre os millennials (30 a 44 anos), o padrão é híbrido, com maior presença nas instituições tradicionais, mas ainda com participação relevante dos digitais.
Esse comportamento, para o representante da Anbima, reflete uma adaptação natural ao ambiente digital. “A Geração Z já entra no sistema financeiro utilizando diferentes formatos e transitando entre eles conforme a necessidade”, aponta.
Nas faixas etárias mais altas, a presença digital diminui. Entre pessoas de 45 a 64 anos, 24% utilizam bancos digitais, enquanto entre aqueles com mais de 65 anos o índice cai para 7%, indicando maior preferência pelo modelo tradicional.

Inclusão financeira cresce, mas de forma desigual
Os dados apontam que o avanço dos bancos digitais está inserido em um processo mais amplo de inclusão financeira. No entanto, essa expansão ocorre de maneira desigual entre os diferentes grupos da população.
Enquanto os mais jovens transitam com maior facilidade entre plataformas digitais e instituições tradicionais, as gerações mais velhas apresentam menor adesão às soluções digitais. Esse cenário sugere que, embora o acesso esteja se ampliando, ainda existem barreiras relacionadas ao uso e à familiaridade com a tecnologia.
Digitalização amplia acesso, mas traz desafios
A maior exposição ao ambiente digital tem ampliado as possibilidades de acesso a serviços financeiros, incluindo abertura de contas, pagamentos e investimentos por meio de aplicativos.
Por outro lado, dentro do setor, o avanço da digitalização também exige maior atenção a aspectos como segurança, educação financeira e letramento digital, especialmente entre usuários com menor familiaridade com tecnologia.
Metodologia
A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro ouviu 5.832 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 4 e 21 de novembro de 2025. O estudo representa a população brasileira com 16 anos ou mais, estimada em mais de 168 milhões de pessoas.
A amostra é composta por 48% de homens e 51% de mulheres economicamente ativas, com média de idade de 44 anos, e busca mapear hábitos financeiros, acesso a serviços e comportamento dos brasileiros em relação ao dinheiro.
O avanço dos bancos digitais no Brasil, que ampliou o acesso da população a serviços financeiros, também tem sido acompanhado por um aumento na exposição a fraudes e tentativas de golpe.
Dados do levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicam que 34% dos brasileiros já foram abordados em situações relacionadas a golpes financeiros, como links falsos, lojas fraudulentas ou contatos de falsos atendentes.
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O cenário reflete uma mudança no ambiente financeiro, cada vez mais digital e, ao mesmo tempo, mais suscetível a crimes virtuais. Segundo Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o crescimento das operações online abriu espaço para novas estratégias criminosas.
“Os criminosos têm aproveitado o crescimento exponencial das operações digitais para aplicar golpes, especialmente por meio da engenharia social”, afirma.
Engenharia social lidera principais fraudes
Entre os golpes mais recorrentes está a chamada engenharia social, técnica em que o criminoso manipula a vítima para obter informações confidenciais ou induzi-la a realizar transações. Casos envolvendo falsos funcionários de bancos, clonagem de aplicativos de mensagens e páginas falsas de compras são exemplos frequentes.
De acordo Mielle, o chamado “golpe da falsa central” — quando criminosos se passam por atendentes para solicitar dados ou transferências — e o phishing, que utiliza links falsos para capturar informações, estão entre os mais aplicados.
A orientação geral é que instituições financeiras:
- não solicitam senhas,
- códigos de segurança,
- ou transferências por telefone, mensagens ou e-mail.
Inclusão digital exige preparo do usuário
A ampliação do acesso aos serviços financeiros por meio de aplicativos representa um avanço em termos de inclusão, mas também evidencia desafios relacionados ao uso seguro dessas ferramentas.
Para a economista Silvana Parente, membro da Academia Cearense de Economia (ACE), o acesso à tecnologia já não é a principal barreira, mas sim a forma como ela é utilizada. Segundo ela, a popularização dos smartphones facilitou a entrada de milhões de brasileiros no sistema financeiro, mas a qualificação para o uso dessas plataformas ainda é desigual.
Esse cenário se torna mais sensível entre pessoas mais idosas. “Há uma dificuldade maior de uso e também de confiança nessas tecnologias, especialmente diante do volume de golpes e desinformação”, observa.
Populações vulneráveis estão mais expostas
A digitalização também evidencia diferenças no nível de vulnerabilidade entre os usuários. Grupos com menor familiaridade tecnológica ou menor acesso à informação tendem a estar mais expostos a tentativas de fraude.
Além disso, a ausência de interação presencial — característica dos bancos digitais — pode dificultar a identificação de situações suspeitas por parte desses usuários. Para Silvana, o modelo digital opera, em grande parte, por meio de sistemas automatizados, sem contato direto com o cliente, o que exige maior autonomia e atenção por parte do usuário.
Sistema bancário reforça monitoramento e ações conjuntas
Diante do aumento das fraudes, o sistema financeiro tem ampliado mecanismos de segurança e cooperação institucional. Para o representante da Febraban, os bancos contam com estruturas robustas de monitoramento e atuam em parceria com forças de segurança para identificar e combater crimes digitais.
Um exemplo é o Projeto Tentáculos, que reúne informações sobre fraudes bancárias e já resultou, entre 2018 e 2025, em centenas de operações policiais e prisões. A entidade também participa de iniciativas como o programa Celular Seguro, em parceria com órgãos públicos, voltado à proteção de usuários em casos de roubo ou perda de dispositivos.
Consumo e crédito também entram no debate
Embora o avanço dos bancos digitais esteja associado à ampliação do acesso a serviços financeiros, especialistas apontam que o endividamento da população está mais relacionado a outros fatores, como o uso do crédito rotativo no cartão.
Segundo Silvana Parente, o principal vetor de endividamento no país ainda está ligado ao consumo parcelado e às altas taxas de juros do crédito tradicional. Nesse contexto, a digitalização não é necessariamente a causa do problema, mas faz parte de um ambiente financeiro mais amplo que exige atenção do consumidor.
Informação e prevenção são principais aliados
Com a expansão dos serviços digitais, a prevenção passa a depender cada vez mais do comportamento do usuário. Medidas simples, como desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado, evitar clicar em links desconhecidos e ativar mecanismos de segurança — como verificação em duas etapas — são algumas das principais recomendações.
O avanço dos bancos digitais, portanto, traz ganhos em acesso e praticidade, mas também reforça a necessidade de educação digital e financeira. Em um ambiente cada vez mais conectado, a segurança passa a ser um elemento central na relação entre consumidores e o sistema financeiro.
Consumo e crédito também entram no debate
Embora o avanço dos bancos digitais esteja associado à ampliação do acesso a serviços financeiros, especialistas apontam que o endividamento da população está mais relacionado a outros fatores, como o uso do crédito rotativo no cartão.
Segundo Silvana Parente, o principal vetor de endividamento no país ainda está ligado ao consumo parcelado e às altas taxas de juros do crédito tradicional. Nesse contexto, a digitalização não é necessariamente a causa do problema, mas faz parte de um ambiente financeiro mais amplo que exige atenção do consumidor.
Com a expansão dos serviços digitais, a prevenção passa a depender cada vez mais do comportamento do usuário. Medidas simples, como desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado, evitar clicar em links desconhecidos e ativar mecanismos de segurança — como verificação em duas etapas — são algumas das principais recomendações.
O avanço dos bancos digitais, portanto, traz ganhos em acesso e praticidade, mas também reforça a necessidade de educação digital e financeira. Em um ambiente cada vez mais conectado, a segurança passa a ser um elemento central na relação entre consumidores e o sistema financeiro. (Fonte: O Povo)
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