O Banco do Brasil, que coordena a operação de garantias para que o BRB (Banco de Brasília) consiga um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), encontra dificuldade para atrair potenciais interessados. (Por Júlio Wiziack)
| Resumo Banco do Brasil enfrenta dificuldade para montar consórcio que dará fiança a empréstimo de R$ 5 bi do FGC ao BRB, necessário para reforçar o patrimônio e evitar liquidação pelo BC. XP e ABC sinalizaram interesse; bancos pedem juro de 4% ao ano sobre as garantias, e o BRB oferece 2% a 3%, com negociações previstas para recomeçar na próxima semana. Celina Leão espera Caixa, BB, Itaú, Santander e BTG no grupo; ela prometeu novo plano do BRB, com foco no DF e garantias atreladas ao FPE e FPM por 15 anos. |
Controlado pelo governo do Distrito Federal, o banco precisa levantar ao menos R$ 5 bilhões em crédito junto ao FGC, única forma no momento para reforçar seu patrimônio e, assim, evitar ser liquidado pelo Banco Central.
A crise financeira do banco distrital se deve à aquisição de papéis podres adquiridos do Master, banco de Daniel Vorcaro liquidado pelo BC por um esquema de fraudes e que desfalcou o FGC em R$ 57 bilhões —valor pago em perdas a correntistas e investidores.
Até o momento, XP e ABC manifestaram interesse em aderir ao grupo —mesmo tendo como certa parte das receitas do FPE (Fundo de Participação de Estados) e FPM (Fundos de Participação de Municípios) a que o governo do Distrito Federal tem direito.
Dois são os entraves para que mais instituições ingressem no consórcio que terá de dar uma fiança de R$ 5 bilhões, valor do empréstimo previamente acertado com o FGC. No entanto, o BRB terá de receber até R$ 6,6 bilhões em dinheiro novo de seu controlador, o governo do Distrito Federal.
O primeiro é a taxa de juros que incidirá sobre as garantias. Para ingressar no consórcio, os bancos querem ao menos 4% ao ano, enquanto o BRB propõe algo entre 2% e 3%. As negociações recomeçam na próxima semana.
O segundo impasse já foi contornado com o envio de um projeto de lei para a Câmara Legislativa do Distrito Federal para garantir que não haverá qualquer óbice ao uso desse dinheiro pelos bancos se o BRB deixar de pagar alguma parcela do empréstimo ao FGC.
As garantias a serem dadas pelos bancos ficarão atreladas aos fundos de participações por 15 anos, prazo previsto para o pagamento do empréstimo a ser tomado no FGC.
A expectativa da governadora Celina Leão (PP) é de que Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Santander e BTG participem do consórcio garantidor.
Segundo pessoas que participam das negociações, Celina prometeu também apresentar aos potenciais interessados um novo plano de negócio do BRB —que abandonará a estratégia de expansão para outros estados, concentrando sua operação no Distrito Federal.
Consultada, a XP não quis se manifestar. ABC e BRB não responderam. (Fonte: UOL)