CONTATO
Telefone: (46) 3225-2488
E-mail: bancarios@seebpb.com.br

Aumento de capital do Bradesco divide analistas entre oportunidade e proteção

  • 31/07
  • Geral
  • Assessoria de imprensa

Banco diz que a medida possibilitará sustentação de investimentos em tecnologia, eficiência e expansão dos negócios. Ações abriram em queda nesta quinta, mas se recuperaram e fecharam em alta (Por Júlia Moura e Maria Clara Matos) - foto Paulinho Costa feebpr -

O aumento de capital do Bradesco, anunciado nesta quarta-feira (29), gera questionamentos no mercado. Enquanto a oferta pode ser oportunidade, como diz o banco, ela pode estar motivada por uma necessidade de fortalecer o caixa diante de um ciclo de inadimplência e juros em alta.

Após aprovação do coselho de administração, o Bradesco irá fazer um aumento de capital de até R$ 10 bilhões por meio de novas ações em Bolsa. Haverá um desconto de 6% em relação ao valor do papel de quarta, para "incentivar os acionistas a participarem do aumento de capital".

A oportunidade da operação neste momento estaria no preço relativamente descontado do banco no mercado, em relação ao histórico de capitalização. Assim, os acionistas controladores aproveitariam a ação em tese barata para aumentar seu investimento visando um maior retorno potencial.

O P/L (preço da ação em relação ao lucro da empresa) do Bradesco está em 8,37 no momento. Ou seja, uma ação se pagaria em pouco mais de 8 anos apenas com os lucros distribuídos por ação.

Nos últimos dez anos, o P/L ficou em 7,7. Antes da pandemia, estava em 12,7. Na média histórica do papel, o indicador é 24,4.

A medida, adotada a pedido das acionistas, possibilitará a sustentação de investimentos em tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios, afirmou o banco. Ou seja, um caixa mais robusto daria fôlego para a instituição acelerar o processo de transformação sob a gestão Marcelo Noronha.

Analistas também pontuam que um capital maior abre margem para o banco emprestar mais dinheiro, de olho em uma possível oportunidade de mercado.

Por outro lado, eles ponderam que a operação pode vir de uma necessidade, enquanto a janela para emissões de ações permanece aberta, antes das eleições e antes de índices maiores de inadimplência.

"À medida que o ciclo de crédito continua se deteriorando e a incerteza em torno da qualidade dos ativos e da necessidade de provisões permanece elevada, o Bradesco pode estar aproveitando condições favoráveis de mercado para reforçar seu capital antes que surja um ambiente potencialmente mais desafiador", dizem analistas do Citi.

Além disso, com um patrimônio maior, aumenta o desconto potencial no pagamento de impostos, vindos do Ativo Fiscal Diferido (conhecido pela sigla em inglês DTA, ou Deferred Tax Asset). Ele é utilizado de forma proporcional ao capital, assim, quanto maior o patrimônio, maior o desconto fiscal.

Segundo o JP Morgan, o Bradesco tem cerca de R$ 120 bilhões em DTA para ser utilizado. O banco vê a diz não crer que a operação venha de uma necessidade de aumentar o capital regulatório devido á deterioração da qualidade de crédito.

"O conselho de administração e a diretoria do Bradesco estão tomando a decisão correta para o longo prazo", dizem os analistas do JP Morgan.

Recentemente, outra operação foi feita com o mesmo objetivo de aumentar o capital social do grupo. O lançamento da BradSaúde na Bolsa substituindo a listagem de Odontoprev (que pertence ao banco) tem como pano de fundo um futuro follow-on que aumentaria o capital do braço de saúde da instituição.

O BTG Pactual classificou o anúncio desta quarta como "surpreendente" e uma "medida inesperada", mas positiva.

"Embora reconheçamos que a reação inicial do mercado possa ser mista, avaliamos o anúncio de forma construtiva, uma vez que a melhoria na geração de capital tangível é um pré-requisito fundamental para adotarmos uma visão mais positiva sobre a tese de investimento no Bradesco ao longo do tempo", diz o relatório do banco de investimentos.

Para o BTG, o cenário não deve ser o mesmo do que em 2015, quando o Bradesco anunciou um aumento de capital que foi posteriormente cancelado em 2016 em meio à volatilidade do mercado e à pressão sobre o preço das ações da instituição financeira. O movimento deve seguir seu curso, segundo eles, devido à estrutura maior por trás, já que os acionistas controladores assumiram um compromisso firme de subscrever até R$ 8 bilhões do total, montante mínimo necessário para a homologação parcial do aumento de capital.

O BTG também espera que iniciativas adicionais sejam anunciadas pelo Bradesco, já que não existe uma "solução mágica" para melhorar o consumo de DTA —ativos fiscais diferidos, ou seja, o acúmulo de créditos tributários que os bancos têm.

Um ponto que coloca o peso da discussão para o lado de a operação ser oportunidade é a participação de acionistas controladores, que podem colocar até R$ 8 bilhões dos R$ 10 bilhões potenciais.

Como os investidores ainda não têm uma conclusão clara, os papéis do Bradesco tiveram forte oscilação no pregão. Chegaram a cair mais de 3% e fecaharam em alta de 0,22%, a R$ 18,39.

Porém, com a diluição do valor da empresa por papel com a oferta de ações, uma desvalorização é esperada, dizem especialistas.

"No entanto, esse movimento de curto prazo não significa, necessariamente, uma piora dos fundamentos do banco", diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Segundo ele, o momento de anúncio ocorre em um contexto em que se elevou a percepção de que os juros ficarão elevados por mais tempo, o que tende a aumentar o custo de captação via dívida, tornando uma emissão de ações uma alternativa eficiente para reforçar o patrimônio sem ampliar o risco financeiro.

"Na minha percepção, a mensagem que o Bradesco está tentando passar é de antecipação, e não de necessidade. O banco parece estar reforçando seu balanço para preservar flexibilidade financeira e sustentar investimentos e crescimento nos próximos anos", afirma Lima.

Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a estratégia de antecipar JCP (juros sobre capital próprio) para que eles sejam utilizados na compra das novas ações visa a remuneração em capital permanente, sem quebrar o histórico de proventos, e com o benefício fiscal da medida (que não gera custos triutários para o banco) ao passo que reembolsa parte do valor distribuído. Assim, remunera o acionista sem perder caixa.

Porém, para o especialista, apenas o balanço do banco que será apresentado na próxima semana poderá sinalizar se a operação é oportunidade ou necessidade.

"É ali que se vê se esse reforço de capital é combustível para crescer em tecnologia e crédito, como diz o banco, ou proteção para um ciclo de inadimplência mais pesado do que se imaginava", diz Matos. (Fonte: Folha de SP)

RAIO-X | BRADESCO
Fundação: 1943, em Marília (SP)
Lucro líquido no 1º trimestre de 2026: R$ 6,8 bilhões
Agências bancárias: 1.938
Funcionários: 80,3 mil
Clientes: 74,3 milhões
Principais concorrentes: Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank

Voltar
Entre em Contato
Telefone: (46) 3225-2488
E-mail: bancarios@seebpb.com.br
Endereço: Rua Tapajós, 93 - Centro
Pato Branco - PR
Receba Nossas Novidades