Após mais de nove horas de uma negociação que atravessou o dia, e a “exemplo de anos anteriores”, a Fenaban encerrou a sexta rodada realizada nesta terça-feira (04/08) sem apresentar um único índice aos bancários. Em vez de uma proposta econômica, os bancos levaram cálculos superestimados para tentar transformar as reivindicações da categoria em prejuízo ao sistema financeiro. A estratégia foi rebatida pela CONTEC, que classificou os cálculos como superestimados e exigiu uma proposta econômica completa na próxima reunião. A exposição da Federação Nacional dos Bancos não trouxe respostas sobre reajuste salarial, ganho real, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), benefícios ou piso salarial.
O presidente da CONTEC, Lourenço Prado, afirmou que a Fenaban estudou a pauta, mas utilizou cálculos fora da realidade para elevar artificialmente o custo das reivindicações.
“Os bancos fazem provisões de forma muito conservadora e projetam prejuízos que, muitas vezes, não se confirmam. Depois, esses valores são revertidos e acabam gerando lucro para o sistema financeiro. Não é correto usar essas estimativas para criar um cenário de dificuldade e negar a valorização dos trabalhadores”, destacou.
Lourenço também contestou o uso das provisões contábeis para sustentar o discurso de prejuízo e aumento da inadimplência. Segundo ele, os bancos costumam fazer estimativas conservadoras que são revertidas e incorporadas aos resultados.
“Os prejuízos muitas vezes não ocorrem como foram projetados. Essas provisões são baixadas e acabam gerando lucro para o sistema financeiro”, destacou.
A Fenaban se comprometeu a apresentar uma proposta global na sétima rodada de negociação, marcada para a próxima quinta-feira (13), a partir das 10h. A expectativa da CONTEC é receber uma resposta que possa ser avaliada pelas entidades e submetida às assembleias dos sindicatos. A categoria reivindica reposição integral do INPC, aumento real de 5%, valorização da PLR, reajuste dos vales “Alimentação e Refeição” e elevação do piso salarial para cerca de R$ 8 mil, conforme cálculo do Dieese.
Para o presidente da Federação dos Bancários do Paraná (FEEB-PR), Gladir Basso, os números apresentados pelos bancos não justificam a ausência de uma proposta econômica.
“A inflação não se discute, se repõe. O INPC mais 5% de aumento real é factível diante da conjuntura do país e da situação do sistema financeiro”, afirmou.
Gladir também reforçou a cobrança por valorização da PLR e dos benefícios, melhoria do piso salarial, preservação dos empregos e interrupção do fechamento de agências.
“Os bancários contribuíram decisivamente para os resultados dos bancos. A categoria espera uma proposta que reconheça essa participação e traduza as necessidades dos trabalhadores de todo o Brasil”, concluiu.
PRÓXIMAS RODADAS
Além da sétima rodada marcada para o dia 13, o calendário de negociações desta campanha salarial da Contec com a Fenaban já tem agendadas reuniões para dias 18 e 25 de agosto.
SINDICATO DOS BANCÁRIOS
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