A Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito) e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) darão continuidade às negociações das cláusulas econômicas na próxima segunda-feira (24), a partir das 9 horas, em São Paulo; às 8 horas a Contec fará reunião preparatória.
O Estado do Paraná estará presente nesta que será a nova rodada de negociação através do presidente da Federação (FEEB-PR) e do Sindicato de Cascavel, Gladir Basso; Tania Maria Lucas Soares, presidente do Sindicato de Paranaguá; Claudecir de Oliveira Souza, Carlos Roberto Rodrigues e Israel Lobo Coelho, respectivamente, presidente, vice-presidente e secretário geral do Sindicato de Maringá; Gilberto Lopes Leite, presidente do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa.
PARALISAÇÃO DEU RESPOSTA CONCRETA PARA OS BANCOS
O presidente da FEEB-PR e do Seeb de Cascavel, Gladir Basso, avalia que a paralisação de 24 horas, realizada ontem (20) em todo Brasil, “foi uma resposta concreta à proposta dos bancos, apresentada semana passada e que foi rejeitada na mesa pela Contec”. Ele afirma ainda que a paralisação foi também uma demonstração da unidade da categoria bancária num momento de “intransigência dos banqueiros”.
A proposta dos bancos – retirada após pressão do movimento sindical bancário - previa percentuais diferentes de reajuste de acordo com a faixa salarial, dividindo a categoria em grupos distintos para a aplicação da correção, além de manter o piso sem reajuste. Para Gladir, o modelo representava um retrocesso justamente em um momento em que a pauta dos bancários busca não apenas a recomposição das perdas inflacionárias, mas também valorização salarial e recuperação do poder de compra.
O movimento sindical aponta ainda que os banqueiros estão bastante reticentes em atender às reivindicações por reajuste salarial e nas demais remunerações (como PLR, vales-refeição e alimentação), acima da inflação, além de melhorias no piso e criação de um piso para os trabalhadores de Tecnologia da Informação (TI), área que mais tem crescido dentro dos bancos.
Em 2025, o setor financeiro nacional registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões, sendo R$ 124 bilhões só dos cinco maiores bancos, que concentram a maior parte desse mercado. Mesmo nos anos recentes, durante a pandemia e pós-pandemia, em que outros setores sofreram com impactos internos e externos, os bancos continuaram com um bom desempenho e em segurança. Ainda assim, estamos chegando próximo ao fim da data base (31 de agosto), quando a CCT precisará ser renovada, sem nenhuma sinalização da Fenaban de qual será o reajuste para a categoria, diz o movimento sindical.
Se de um lado, na mesa de negociação com os trabalhadores, os banqueiros enrolam para apresentar um índice, do outro, a remuneração média para os altos executivos dos três maiores bancos privados do País para 2026 já está prevista e será de R$ 12,5 milhões - um valor 120 vezes superior à remuneração média anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR), cita o movimento sindical.
A categoria bancária reivindica do ponto de vista econômico, o piso da categoria de acordo com Dieese de R$ 9.990,00, a valorização da PLR com o reajuste do INPC mais 5% de aumento real, valorização de VR e VA, o não fechamento de mais agencias e manutenção dos empregos.